EDITORIAL
Os cartórios das delegacias enfrentam atualmente sérias dificuldades com a alternância do horário de trabalho dos Escrivães, as quais já haviam sido em parte sanadas com a implantação das seis horas diárias contínuas.
Apesar da precariedade de equipamentos e materiais diversos, os cartórios funcionam com eficácia, pois os mesmos eram utilizados de forma democrática pelos Escrivães que se revezavam em dois horários e, com isso, todas as atividades cartorárias realizadas. Mas, com a adoção da divisão do horário, o caos se instalou pelos cartórios, tendo em vista que, enquanto dois Escrivães trabalham, outros ficam parados por não haver espaço e nem tão pouco equipamentos suficientes para suprir as necessidades da classe. Isso tem acarretado sérios transtornos aos chefes de cartórios, principalmente no andamento dos inquéritos policiais que requerem cumprimentos de despachos e prazos.
Essa medida trouxe não apenas o caos, mas também a insatisfação geral de uma categoria que esbanjava boa vontade e disposição na realização de sua função. Entretanto, isso ficou nopassado, porque no presente a essência da eficácia e da competência esconde-se nos rostos endurecidos dos Escrivães revoltados com a nova forma de trabalho imposta.
Mas essa revolta não é exclusivamente dos Escrivães. Outros segmentos da polícia também a manifestam por saberem que exercer a função de Escrivão exige, além de pré-disposição, capacidades físicas e psicológicas.
Há que se pensar que se o descontentamento implica reações adversas, consequentemente, a satisfação conduz o servidor a melhor desenvolver os trabalhos sob a sua responsabilidade.
Neila Arruda
Presidenta